O valor mínimo do frete rodoviário mudou novamente em 2026 e quem trabalha com transporte de cargas precisa ficar atento antes de aceitar ou contratar uma viagem.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou a Portaria SUROC nº 22, de 28 de setembro de 2026, atualizando os coeficientes utilizados para calcular o piso mínimo do frete. A nova tabela entrou em vigor em 30 de setembro de 2026.
A mudança foi provocada pela variação do preço de referência do diesel S10, que passou a ser considerado em R$ 7,33 por litro, com base na média nacional registrada entre 20 e 26 de setembro de 2026.
Mas existe um detalhe importante: não basta saber que o frete mudou. Para descobrir quanto uma viagem deve receber, é necessário identificar o tipo de carga, a quantidade de eixos carregados, a modalidade de contratação, a distância e a tabela correta da ANTT.
Neste guia, você vai entender quanto mudou o piso mínimo do frete em 2026, como fazer a conta, qual tabela usar, como o CIOT interfere na operação e como conferir o valor oficialmente.
O que mudou no piso mínimo do frete em 2026?
A alteração mais recente foi publicada pela ANTT por meio da Portaria SUROC nº 22/2026. A norma reajustou os coeficientes dos pisos mínimos previstos na regulamentação do transporte rodoviário de cargas.
A medida não criou uma nova metodologia. O cálculo continua utilizando os coeficientes definidos pela política nacional de pisos mínimos, levando em consideração características da operação.
| O que mudou | Nova referência |
|---|---|
| Data de vigência | 30 de setembro de 2026 |
| Diesel utilizado como referência | Diesel S10 |
| Preço de referência | R$ 7,33 por litro |
| Órgão responsável | ANTT |
| Norma | Portaria SUROC nº 22/2026 |
| Base da política | Lei nº 13.703/2018 |
A portaria pode ser consultada diretamente no ANTTlegis.
Por que o diesel de R$ 7,33 mudou a tabela?
O preço do diesel é um dos componentes utilizados pela ANTT para atualizar os coeficientes do piso mínimo.
A legislação prevê um mecanismo de atualização extraordinária quando ocorre uma oscilação superior a 5% no preço do diesel considerado na metodologia.
Em julho de 2026, a ANTT havia atualizado os pisos utilizando, entre outros parâmetros, um preço de referência de R$ 6,97 por litro para o diesel S10. Posteriormente, a média nacional considerada para a nova atualização chegou a R$ 7,33.
A diferença entre os dois valores é suficiente para acionar o mecanismo de atualização previsto na legislação.
| Referência | Diesel S10 |
|---|---|
| Referência anterior de julho de 2026 | R$ 6,97/litro |
| Nova referência | R$ 7,33/litro |
| Período utilizado na nova referência | 20 a 26 de setembro de 2026 |
| Fonte do preço | ANP |
Por isso, quem utiliza uma tabela antiga para calcular uma viagem pode chegar a um valor diferente daquele atualmente considerado pela ANTT.
Quem precisa respeitar o piso mínimo do frete?
Essa é uma das partes mais importantes da regra, porque o piso mínimo não significa que absolutamente todo transporte realizado por um caminhão esteja sujeito à mesma tabela.
A política de pisos mínimos se aplica ao transporte rodoviário remunerado de cargas nas operações enquadradas na regulamentação, especialmente nas operações de carga lotação realizadas com veículos movidos a diesel.
De forma simplificada, a carga lotação envolve uma operação em que existe um único contrato de transporte, um único contratante da capacidade da composição, um par de origem e destino e uma operação enquadrada nos critérios regulamentares.
A própria ANTT orienta que, para o cálculo, sejam observadas as características efetivamente utilizadas na operação.
| Situação | O que observar |
|---|---|
| Frete remunerado para terceiro | Verificar se a operação está sujeita ao piso |
| Carga lotação | Aplicação do piso conforme a regulamentação |
| Carga fracionada | Possui tratamento diferente e não deve ser automaticamente calculada pela tabela de carga lotação |
| Carga própria | Em regra, não está sujeita ao piso mínimo de frete |
| Veículo a diesel | É a situação contemplada pela política de piso mínimo |
A ANTT esclarece que o transporte de carga própria, quando o proprietário da mercadoria transporta sua própria carga em veículo próprio ou sob sua posse, não caracteriza transporte rodoviário remunerado de cargas para fins da política de piso mínimo.
Como calcular o piso mínimo do frete?
A fórmula básica utilizada pela ANTT é:
Piso mínimo do frete = distância × CCD + CC
Isso significa que você precisa encontrar dois coeficientes na tabela correspondente à operação:
- CCD: Coeficiente de Custo de Deslocamento, em reais por quilômetro;
- CC: Coeficiente de Carga e Descarga, em reais.
Depois, basta multiplicar a distância pelo CCD e acrescentar o CC.
O que são CCD e CC?
| Sigla | Significado | Unidade | Função |
|---|---|---|---|
| CCD | Coeficiente de Custo de Deslocamento | R$/km | Representa o custo relacionado ao deslocamento da operação |
| CC | Coeficiente de Carga e Descarga | R$ | Representa o componente de carga e descarga |
O grande erro é utilizar um CCD de outra configuração de veículo ou de outro tipo de carga. O valor por quilômetro não é único para todos os caminhões.
Ele varia conforme a tabela, o tipo de carga, a quantidade de eixos e as características da contratação.
Exemplo: quanto dá uma viagem de 500 km?
Vamos utilizar um exemplo simples da Tabela A, considerando uma operação de carga geral, contratação da composição veicular ou caminhão simples, com 3 eixos carregados e distância de 500 km.
Para essa configuração, a Portaria SUROC nº 22/2026 apresenta:
- CCD: R$ 5,2177 por km;
- CC: R$ 541,86.
Aplicando a fórmula:
500 × R$ 5,2177 + R$ 541,86 = R$ 3.150,71
| Item | Valor |
|---|---|
| Distância | 500 km |
| Tipo de carga | Carga geral |
| Eixos carregados | 3 |
| CCD | R$ 5,2177/km |
| CC | R$ 541,86 |
| Piso calculado | R$ 3.150,71 |
Atenção: esse valor não deve ser utilizado como referência para qualquer viagem de 500 km. Ele vale para as características específicas do exemplo. Se mudar o tipo de carga, o número de eixos ou a modalidade de contratação, o resultado também muda.
Tabela de carga geral: novos valores de 2026
A Tabela A da Portaria SUROC nº 22/2026 apresenta diferentes coeficientes para a quantidade de eixos carregados.
Confira abaixo alguns dos valores para carga geral em operações com contratação da composição veicular ou caminhão simples:
| Eixos carregados | CCD (R$/km) | CC (R$) | Piso em 500 km |
|---|---|---|---|
| 2 | R$ 4,0738 | R$ 451,84 | R$ 2.488,74 |
| 3 | R$ 5,2177 | R$ 541,86 | R$ 3.150,71 |
| 4 | R$ 5,9180 | R$ 588,86 | R$ 3.547,86 |
| 5 | R$ 6,8284 | R$ 657,56 | R$ 4.071,76 |
| 6 | R$ 7,5347 | R$ 671,93 | R$ 4.439,28 |
| 7 | R$ 8,2727 | R$ 831,66 | R$ 4.968,01 |
| 9 | R$ 9,4114 | R$ 903,32 | R$ 5.609,02 |
Os valores acima são apenas uma referência calculada para 500 km. A tabela oficial da ANTT possui outras categorias de carga e diferentes configurações.
Qual tabela da ANTT devo usar?
A escolha da tabela é fundamental. Não existe uma única tabela de frete que sirva para todas as operações.
A Portaria apresenta, entre outras, as seguintes estruturas:
- Tabela A: carga lotação com contratação da composição veicular ou caminhão simples;
- Tabela B: carga lotação com contratação apenas da unidade de tração;
- Tabela C: operação de alto desempenho com contratação da composição veicular ou caminhão simples;
- Tabela D: operação de alto desempenho com contratação apenas da unidade de tração.
Além disso, dentro dessas tabelas existem diferentes categorias de carga, como carga geral, granel sólido, granel líquido, frigorificada ou aquecida, conteinerizada, neogranel e cargas perigosas.
Por isso, simplesmente pesquisar no Google por “valor do frete por km” pode levar a um resultado errado. O valor correto depende da operação.
O que o CIOT tem a ver com o piso mínimo?
Essa é uma mudança especialmente importante para quem trabalha com transporte rodoviário de cargas em 2026.
O CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte) registra informações da operação perante a ANTT, como contratante, transportador, veículo, carga, origem, destino e valores envolvidos.
Com as novas regras operacionais implementadas em 2026, o sistema passou a realizar validações relacionadas ao piso mínimo nas operações em que essa regra se aplica.
Na prática, quando uma operação de carga lotação estiver sujeita ao piso e o valor informado estiver abaixo do mínimo aplicável, o CIOT não poderá ser gerado nas condições previstas para a validação sistêmica.
Isso torna ainda mais importante calcular corretamente o frete antes de registrar a operação.
A própria ANTT explica que o CIOT funciona como instrumento de identificação, rastreabilidade e apoio à fiscalização das operações de transporte remunerado de cargas.
O que acontece se o frete ficar abaixo do piso?
Quando uma operação está sujeita ao piso mínimo, o valor contratado não pode simplesmente ser reduzido abaixo do mínimo regulamentar.
A legislação prevê consequências para o descumprimento, incluindo indenização ao transportador e penalidades administrativas, conforme o caso.
Além disso, a ANTT informou em setembro de 2026 que iniciou procedimentos para suspensão cautelar de empresas que descumprem reiteradamente a política de pisos mínimos.
Isso mostra que o assunto deixou de ser apenas uma tabela utilizada para consulta e passou a ter uma importância ainda maior na contratação e no registro das operações.
Por isso, tanto o caminhoneiro quanto a transportadora e o contratante do serviço precisam ter atenção aos valores declarados.
Como funciona o retorno vazio?
O retorno vazio é outro ponto que pode alterar significativamente o cálculo de determinadas operações.
Mas existe uma confusão comum: nem todo retorno sem carga gera automaticamente um adicional de 92%.
A regra de retorno vazio obrigatório possui hipóteses específicas na regulamentação, especialmente para determinadas operações com contêineres e situações envolvendo veículos de frotas específicas, dedicadas ou fidelizadas em razão das características do transporte.
Quando a hipótese legal de retorno vazio obrigatório estiver presente, a regulamentação estabelece cálculo específico, utilizando 92% do CCD da composição veicular multiplicado pela distância do retorno.
Por isso, não é correto simplesmente pegar qualquer viagem de ida e volta e acrescentar 92% ao frete.
Se houver uma nova contratação de transporte no retorno, a volta deve ser analisada como uma nova operação, com seu próprio enquadramento.
Carga própria precisa respeitar o piso mínimo?
Não, em regra.
A política de piso mínimo está relacionada ao transporte rodoviário remunerado de cargas por conta de terceiros.
Quando uma empresa transporta sua própria mercadoria utilizando veículo próprio ou sob sua posse, sem contratar um terceiro para realizar o frete, não existe a mesma relação de transporte remunerado por conta de terceiro.
Por isso, a ANTT esclarece que o transporte de carga própria não está sujeito ao piso mínimo de frete.
É importante, entretanto, não confundir frota própria com carga própria. Uma empresa pode possuir ou controlar uma frota e, ainda assim, realizar transporte remunerado de carga de terceiros. Nesse caso, a análise da operação é diferente.
O piso mínimo é o preço máximo do frete?
Não.
Essa talvez seja uma das maiores confusões sobre a tabela da ANTT.
O piso mínimo estabelece um valor mínimo para as operações às quais a regulamentação se aplica. Ele não cria um teto para o preço do transporte.
Isso significa que um transportador pode negociar um valor superior ao piso.
A própria ANTT informa que itens como lucro, impostos, despesas administrativas e determinadas taxas que não fazem parte do modelo de cálculo podem ser tratados entre as partes.
| Valor negociado | O que significa |
|---|---|
| Abaixo do piso | Problema quando a operação estiver sujeita à política |
| Exatamente no piso | Atende ao valor mínimo calculado pela metodologia |
| Acima do piso | É possível; não existe teto imposto pela tabela |
Portanto, o piso não significa necessariamente que aquele valor seja suficiente para gerar lucro para o transportador. Ele representa o mínimo estabelecido pela metodologia da política.
Como consultar a calculadora oficial da ANTT?
A maneira mais segura de conferir uma operação é utilizar a calculadora oficial do piso mínimo de frete da ANTT.
A ferramenta permite informar características como:
- tipo de carga;
- número de eixos;
- distância;
- composição veicular;
- operação de alto desempenho;
- retorno vazio, quando aplicável.
Você pode acessar diretamente a Calculadora Oficial do Piso Mínimo de Frete da ANTT.
A recomendação é não confiar somente em tabelas antigas encontradas em sites, redes sociais ou planilhas compartilhadas por outros caminhoneiros. Como os coeficientes podem ser atualizados, o ideal é conferir sempre a versão vigente.
Checklist antes de aceitar uma viagem
Antes de fechar um frete, o transportador pode seguir este roteiro:
| Etapa | O que conferir |
|---|---|
| 1 | Confirmar se é transporte remunerado de carga de terceiro |
| 2 | Verificar se a operação é carga lotação |
| 3 | Identificar o tipo de carga |
| 4 | Conferir a quantidade de eixos carregados |
| 5 | Identificar se há contratação da composição ou apenas da unidade de tração |
| 6 | Verificar se a operação é de alto desempenho |
| 7 | Calcular a distância correta |
| 8 | Consultar o CCD e o CC da tabela correspondente |
| 9 | Verificar eventual hipótese de retorno vazio obrigatório |
| 10 | Comparar o valor negociado com o piso calculado |
| 11 | Conferir os dados que serão registrados no CIOT |
Por que essa atualização importa para o caminhoneiro?
Para quem vive do transporte rodoviário, alguns centavos por quilômetro podem representar uma diferença significativa no resultado final de uma viagem de centenas ou milhares de quilômetros.
Imagine uma composição que percorre milhares de quilômetros. Uma diferença pequena no coeficiente de deslocamento, multiplicada por uma distância elevada, pode representar centenas de reais no cálculo.
Por isso, acompanhar a atualização da tabela é especialmente importante para o caminhoneiro autônomo, transportadora, embarcador e contratante de frete.
O aumento do diesel também não afeta apenas o abastecimento. Ele influencia diretamente os custos operacionais utilizados na metodologia do piso.
Para o motorista profissional, entender a tabela pode ajudar a evitar aceitar uma operação sem saber se o valor oferecido está abaixo do mínimo regulamentar.
Onde consultar as regras oficiais?
Para evitar informações desatualizadas, estas são as principais fontes que devem ser utilizadas:
- Política Nacional de Pisos Mínimos de Frete – ANTT
- Calculadora Oficial do Piso Mínimo de Frete
- Portaria SUROC nº 22/2026
- CIOT Para Todos – ANTT
Conclusão: o frete mudou, mas a conta depende da operação
A atualização de setembro de 2026 não significa que exista um único novo valor de frete por quilômetro para todos os caminhões.
O que mudou foi a tabela de coeficientes utilizada pela ANTT, após a atualização do preço de referência do diesel S10 para R$ 7,33 por litro.
Para descobrir o piso correto, é necessário analisar a operação completa: tipo de carga, número de eixos, distância, modalidade de contratação, características do transporte e eventual retorno vazio.
O exemplo de carga geral com três eixos e 500 km chega a R$ 3.150,71, mas esse valor não pode ser generalizado para todas as viagens.
A melhor forma de evitar erro é utilizar a calculadora oficial da ANTT e conferir se os dados informados correspondem exatamente à operação que será realizada.
Em 2026, conferir o piso antes de fechar o frete ficou ainda mais importante, especialmente porque as informações da operação passaram a ter maior integração com as validações relacionadas ao CIOT.
Perguntas frequentes sobre o piso mínimo do frete 2026
Qual é o novo preço do diesel usado no cálculo do piso do frete?
A nova referência utilizada pela ANTT é de R$ 7,33 por litro de diesel S10, correspondente à média Brasil da semana de 20 a 26 de setembro de 2026.
Quando começou a valer a nova tabela do frete?
A Portaria SUROC nº 22/2026 foi publicada em 29 de setembro e entrou em vigor em 30 de setembro de 2026.
Existe um valor único de frete por quilômetro?
Não. O valor varia conforme o tipo de carga, número de eixos, tabela utilizada e características da operação.
O piso mínimo vale para carga própria?
Em regra, não. A política de piso mínimo se aplica ao transporte rodoviário remunerado de cargas por conta de terceiros.
O piso mínimo é o máximo que posso cobrar?
Não. A ANTT não estabelece um teto para o frete. O valor acima do piso pode ser negociado entre as partes.
Como calcular o piso mínimo do frete?
A fórmula básica é distância × CCD + CC. O CCD é o coeficiente de custo de deslocamento e o CC é o coeficiente de carga e descarga.
Onde consultar a tabela atualizada?
A tabela pode ser consultada na regulamentação da ANTT e o cálculo pode ser feito pela calculadora oficial do piso mínimo de frete.
O CIOT pode ser gerado com frete abaixo do piso?
Nas operações sujeitas à validação sistêmica do piso mínimo, a ANTT informa que o CIOT não será gerado quando o valor declarado estiver abaixo do piso aplicável.